Pedra e planta

Pedra ali plantada

Pão não vai me dar

Da planta ali regada

Espero seu fruir

Flor abrilhantada

Que sorri pro sol

Só lança seu encanto

E eu, com espanto

Espero ali

E lá sentar

Morrer de rir

Ao ver

Viver

O fruto que brotou

E que alimentou

A fome desse homem

Que quer se alimentar

De arte, pura bela,

Eu e ela a ver

Verdade, só a verdade,

Em nós soar

De pranto

Que se cessa

De um só

Que faz festa

E empresta a alma

A quem sem alma

Sofre sem esperançar

Pula de alegria o broto

Que da planta sente o gosto

De vida

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Irmãs minhas

Tenho uma irmã*

Minha memória

“Tome sua blusa,

Me liga,

Não vai esquecer!”

Esqueço e ouço

O aviso já dito,

Com carinho

 

Tenho irmãs**

Mais duas

Bravas também

E doces

Como a primeira

Me abraçam

Quando me brigam

E me brigam

Só porque me amam

Como a primeira

 

Tenho alegrias

Porque irmãs eu tenho

Choro também

Por elas

Com elas

Mais, porque somos de sangue

De pai*

E Do Pai**

 

As amo,

Só isso.

Homenagem às minhas irmãs: Rebeca (irmã de sangue)*, Ivny e Liz (irmãs de coração)**

Lágrima presa: saudade…

Imagem

Hoje os meus olhos ensaiaram cantar um lamento, enquanto falava eu de alguém que amei. Disfarcei a voz, que quase embargou: o coração sentiu saudade. A amizade se foi, não por briga ou por desistência de ser companhia de alma. A Morte tem essas manias, não pede licença às vezes e sai tirando de nós quem desejamos nunca perder. A amizade foi tirada de mim e agora sinto falta de minha amiga, a melancolia brinca com meu coração e danço lembranças queridas, mas que doem. Continuar lendo

Uma Grande Lição (parte I)

Na última sexta-feira de 2011 assisti ao filme Quase Deuses. Excelente. Terminei-o com a sensação de que precisava repensar minhas atividades, meus sonhos: eu tinha que marcar o mundo de uma forma mais significativa. Tolice da minha parte. Não pelo desejo de transformar o mundo, mas por não ter sido sensível o suficiente para ver que a lição do filme é outra e muito mais significativa. Continuar lendo

Visita impetuosa

Silêncio. Estou seguro, envolvido na profundidade deste estado de sossego aparente. Se fecho os olhos, debruçando o livro por sobre o peito, enquanto me ajeito na cama que está ao lado da janela, o silêncio toma forma, e se traduz em gotas que caem num ritmo constante, mas descompassado, criando uma melodia agradável. Folhas, poças, terra recebem a música da quietude, que preenche a noite, tecendo um ambiente propício a uma leitura aprazível.

Incomodo. Estranhamente, vejo-me desconcertado e desconcentrado da leitura que se fez ideal. Concentro-me mais no ambiente, que, a propósito, não quer minha atenção e, sim, quer ouvir as palavras escritas que parecem casar com o momento.

Trovão. O martelo de Thor rasga o silêncio em pedaços e seu som se faz ouvido em passeata, ribombando a cada pegada, lenta, forte e aterrorizante. O vento se encarrega de ser seu transporte e, mirando o leste, carrega indiscreto o estrondoso som por sobre os morros de Minas. Ouso enfrentar seu dono, encarando-o nos olhos: “quem es tu e o que desejas alcançar com tamanho estardalhaço?”, perguntei. E, em resposta nada sutil, ouvi-se de forma até gentil a réplica: “sou apenas o mensageiro da chuva. Atrapalhei? Perdão, não era meu propósito. Só queria acompanhar-te, aproveitando de sua leitura e da poesia do momento”.

Silenciei-me.

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Texto inspirado na chuva que ouço lá fora, de dentro da casa do Zilbinho, Marô, Lis e Júlia. Bom esse cantinho!

Imagem: Blog Inspire me

Aprendendo a plantar

Outro dia eu plantei uma árvore. Isso é o que diria meu amigo, Pedro, com quem tive o tal privilégio. Mas a verdade é que qualquer observador afirmaria: “Você? Fala sério, Lucas. Quem plantou mesmo a árvore foi o Pedro”. E eu, pra ser sincero e honesto, teria que confirmar estas palavras — mal toquei na terra. Apesar disso, participar daquele momento foi significativo. Principalmente porque percebi alguns valores importantes por trás da atitude desse meu amigo.

Antes de evidenciá-los preciso deixar a cena mais clara. Tecnicamente, plantar uma árvore implica você exercer certa força em seu braço, utilizando uma pá (não importa o tamanho) para cavar um buraco, fundo o suficiente para receber a planta que, se for uma muda, deve ser retirada do recipiente onde foi plantada anteriormente e depositada no tal buraco, que deve ser coberto com terra novamente. Ah, claro. Antes disso tudo você deve escolher o lugar apropriado para o plantio, levando em consideração se a árvore que você está plantando será grande ou não, para que ela não seja colocada perto de outras árvores que impediriam seu crescimento. Adivinhe o que eu fiz? Exato, eu apenas sugeri o lugar onde por a planta. E isso porque meu amigo pediu minha opinião. Veja bem, não entenda mal a minha atitude. Ela não expressa de maneira nenhuma desinteresse pelo momento. Plantar árvores é realmente significativo pra mim (apesar de nunca ter feito antes) e principalmente com um amigo. Talvez dizer também que minutos depois eu teria que trabalhar, justifique meu envolvimento mínimo. Voltar ao expediente com as mãos e as roupas sujas não seria apropriado.

Agora, o interessante é que apesar desse meu pequeno envolvimento, senti que foi significativo para o Pedro que eu plantasse a árvore junto com ele. Ele disse que queria ter feito isso com uma criança, mais especificamente com um primo dele de 10 ou 11 anos, mas tinha dúvidas se este pegaria a ideia. É claro que a intenção do meu amigo era fazer com que seu primo “pegasse a ideia”, o significado de plantar uma árvore (para quem não sabe sobre este significado, pense na lição da espera pelo crescimento, ou na lição “o que você planta hoje, colhe amanhã”, ou ainda sobre a lição do cuidado que devemos ter com os nossos relacionamentos, para que eles se desenvolvam e deem frutos, da mesma forma quando cuidamos de uma árvore). Não era pré requisito ter a ideia em mente previamente. Mas acho que tão bom quanto levar pessoas a experimentarem coisas que são importantes pra gente e estas curtirem, é curtir essas coisas importantes junto com pessoas que já as consideram assim, cheias de valores. E percebi essa sensação no Pedro — “é bom compartilhar este ato com quem o valoriza tanto quanto eu”. Não posso afirmar que foi exatamente isto que ele pensou, mas foi essa a mensagem que ele passou.

Outra coisa interessante que deu pra notar nele, além desse negócio de simplesmente estar presente para compartilhar, é a valorização da minha pequena participação. Bom, eu só dei minha opinião sobre qual seria o melhor lugar. E tenho certeza que ele teria escolhido o mesmo lugar que apontei sem qualquer sugestão minha. O fato é que, mesmo sendo óbvia, minha ideia foi acatada como boa. Isso me fez refletir em como pequenas atitudes nossas podem ser consideradas, na nossa cabeça, como insignificantes e desnecessárias para outras pessoas, mas nos surpreendemos ao saber que isso fez diferença para estas. Um exemplo claro, dentro da minha realidade cristã, é o ato de orar por alguém. Eu particularmente acho muito bacana quando alguns dizem estar orando por mim. Boa parte das vezes isso me dá ânimo, além de me encher de gratidão ao ver que sou lembrado. Essas sensações só não são maiores do que ouvir alguém dizer “você não faz ideia como está me ajudando ao me informar que está orando por mim”. Porque a oração parece ser algo tão pequeno… Mas só parece mesmo. Tem um poder de nos envolver com a dor e alegria dos outros que não fazemos ideia. Coisas pequenas que são grandes! Vi que o Pedro pensa assim também. E refletir nessas atitudes, que nem ele deve ter pensado para praticá-las, tornou o plantio daquela árvore um dos momentos significativos desse ano.

Espero levar isso comigo em 2012: valorizar a presença das pessoas e a importância dos pequenos atos.

Imagem: Ambiental Sustentável