Pedra e planta

Pedra ali plantada

Pão não vai me dar

Da planta ali regada

Espero seu fruir

Flor abrilhantada

Que sorri pro sol

Só lança seu encanto

E eu, com espanto

Espero ali

E lá sentar

Morrer de rir

Ao ver

Viver

O fruto que brotou

E que alimentou

A fome desse homem

Que quer se alimentar

De arte, pura bela,

Eu e ela a ver

Verdade, só a verdade,

Em nós soar

De pranto

Que se cessa

De um só

Que faz festa

E empresta a alma

A quem sem alma

Sofre sem esperançar

Pula de alegria o broto

Que da planta sente o gosto

De vida

Irmãs minhas

Tenho uma irmã*

Minha memória

“Tome sua blusa,

Me liga,

Não vai esquecer!”

Esqueço e ouço

O aviso já dito,

Com carinho

 

Tenho irmãs**

Mais duas

Bravas também

E doces

Como a primeira

Me abraçam

Quando me brigam

E me brigam

Só porque me amam

Como a primeira

 

Tenho alegrias

Porque irmãs eu tenho

Choro também

Por elas

Com elas

Mais, porque somos de sangue

De pai*

E Do Pai**

 

As amo,

Só isso.

Homenagem às minhas irmãs: Rebeca (irmã de sangue)*, Ivny e Liz (irmãs de coração)**

Amizade e a estrela

Se a estrela é toda a riqueza do céu

Seu valor passa a ser ínfimo

E o mistério do que é infinito

Continua inexplorável

 

Ao passo que

Se as constelações me inspiram

A mergulhar em anis desconhecidos

Aí sim encontro valor em viajar

Na beleza de cada estrela

 

Há coexistência de sentido:

Da estrela ser parte do todo que desejo sondar

E passo a caminhar ao seu lado

Ser seu amigo e cúmplice

De verdades gêmeas

Nascemos para o mesmo fim:

Desfrutar da beleza do intangível

E voar

 

Se sua companhia é todo o sentido da caminhada

Restará à ti apenas Afeição

E o mistério de sermos dois amigos (viajantes)

Não existirá, pois não haverá caminho

 

Ao passo que

Se o caminho torna-me um explorador

E nele encontro um irmão de caminhada

Sua companhia será um presente:

Não caminho só, pela verdade

 

Há amizade por um sentido:

Dois que caminham lado a lado

Absortos em um interesse comum

Imersos na luta de explorarem as constelações

E acabarem se tornando exploradores de si

Sendo mais de si mesmo quando compartilham

Do mesmo gosto por sonhar

E andar

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Baseado em trechos do livro “Os Quatro Amores” de C. S. Lewis

E lá vem Deus…

Comecei a fazer esse texto na época das enchentes na região serrana do RJ. Só consegui terminar agora…

“Prepararam uma canção,
Como a que desejo preparar,
Para que alguns se reconheçam
E vejam que meus olhos falam
Enquanto em silêncio está meu coração.
E é bem possível que chore,
Mas meu olhar está atento,
Quer penetrar a alma de quem sofre
E dizer o que do alto ouço:
Eu te vejo!”

Elevo os olhos para os montes. E estes são escombros que se deitam esparramados sobre as casas de irmãos meus, semelhantes meus. Parece não vir socorro de lá. Só se houve um choro sem som ou um clamor mudo, debaixo daquilo que pode ser a tumba de muitos queridos. Parece não haver esperança.

“E lá vai Deus, sem sequer saber de nós” é o que cantam com o penúltimo fôlego que lhes restam. E com o ultimo me perguntam “o seu Deus, onde está?”.

Como as águas que dessem torrenciais contra aquelas cidades e devastam vidas e sonhos, assim são as ondas de tristeza na alma angustiada de quem vê perder um amor, um amigo, uma caminhada inteira. As lágrimas, que inundam os corações tal qual as enchentes, tornaram-se o alimento diário de muitos. E a pergunta ainda ecoa “o seu Deus onde está?”

O meu Deus. Ele não é de sumir. Pode permanecer em silencio, mas nada passa sem ser percebido por seu coração. E nessa esperança, permaneço com os olhos por sobre os montes. “E lá vem Deus, querendo saber de nós”. E não vem só. Traz consigo uma multidão de corações solidários dispostos a erguer os montes que estão sobre os que choram. Sim, lá vem Deus, o Deus que intervém sem ser percebido, com sua graça e misericórdia em forma de doações de roupa, alimento, esperança e um sorriso.

E lá vem Deus. Levantem-se. Ele ira consolar vocês.

O Som do Coração

Faça silêncio primeiro.
(pausa)
Doce é o som do silêncio.
(pausa)
Depois, perceba as notas…
As que saem do coração.
(pausa)
É…
(sorriso)
Bom, não é?
(outro sorriso)
Melhor quando fecham-se os olhos.
Tem um som doce e seco.
Pálido, mas colorido.
O som de um mensageiro.
Aquele que convida alguém.
Aquele que anuncia a chuva.
Barulho de xilofones,
Gotas cantantes,
Que me fazem chorar
De alegria…
(mais outro sorriso)
(uma lágrima)
Já te disse sobre essa chuva?
Agora as gotas caem pesadas
E os raios ricocheteiam,
cruzando os ares,
Tocando o surdo,
Os tons,
Chocando os pratos.
(sorriso… suspiro emoção)
Mas não é esse o som do medo.
Esse teria o gosto de outra coisa.
O que sai de mim é algo mais forte,
Que se traduz em trovão e na voz suave de uma soprano.
Esta é a expressão do que corre em mim:
Som de milhares de cavalos
Galopando
Ou uma queda d’água.
Chuva pesada.
Leve.
Que me Leva.
(pauso…)
(suspiro…)
(sinto…)
E nesse momento,
Como um maestro que levanta a batuta,
Ergo o rosto
E as mãos são estendidas.
Molha os olhos.
Umedece o sorriso.
“Humildece” minha alma.
Danço com o vento
Ao cantar da chuva
E transbordo do som mais lindo,
Capaz de ecoar além das montanhas…
De sentir o céu mais próximo de nós.
E a canção que se canta
Encanta e traduz
O som que sai do coração
(pausa)
(suspira)
(melodia)
Nota final:
Amor!

Inspirado no filme O Som do Coração

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