Sobre lucasrolim

Lucas Rolim Menezes é meu nome. sou natural de timóteo, mas prefiro dizer que nasci em lucania... um mundo, que não há beleza própria, mas guarda um tesouro reluzente, que traz vida e luz a seus moradores. Eu não sou a luz, longe de mim essa presunção. Mas tenho a grande tarefa de refletí-la em lugares escuros. As vezes não dá muito certo... tenho um quarto cheio de máscaras que quando as uso esqueço da minha missão de espelho e a luz não é refratada onde é preciso. bem, quanto a isso estou aprendendo... sendo e estando!

Chuva e barro

Há chuva em mim.

Não de milagre e fertilidade,

Mas de lamento,

Choro,

Sem uma gota externa

Expressa.

“Chovo” por dentro

E me alago na angústia

Sem resposta à pergunta

“Por quanto tempo mais

Trairás a ti mesmo?”

Sinto-me enlameado

E esta lama me engole

Torna-me no que sou:

Terra e barro,

Sujo e sem esperança

Parece.

Pereço

E triste,

Quase esqueço:

É possível plantar

E brotar

Em terra molhada

Pela lágrima do arrependimento!

Choro em esperança

De me tornar companheiro de mim

Nada de impostor

Submisso ao autor

E jardineiro

Do que posso vir a ser.

Suspiro

E espero.

Uma Grande Lição (parte I)

Na última sexta-feira de 2011 assisti ao filme Quase Deuses. Excelente. Terminei-o com a sensação de que precisava repensar minhas atividades, meus sonhos: eu tinha que marcar o mundo de uma forma mais significativa. Tolice da minha parte. Não pelo desejo de transformar o mundo, mas por não ter sido sensível o suficiente para ver que a lição do filme é outra e muito mais significativa.

A personagem principal, Vivien Thomas, era um negro norte-americano que herdou o ofício do pai marceneiro com exímia habilidade. Contudo, sonhava ser médico. Isto dentro de uma realidade ainda repressiva de discriminação, em que uma pessoa “de cor” tinha que utilizar banheiros específicos para sua raça, além de sentar em espaço separado no ônibus e dar passagem para um branco que atravessasse seu caminho – repugnante. Em um certo momento da vida viu uma oportunidade de trabalhar como faxineiro em um excelente laboratório de pesquisa coordenado por um médico da Universidade Johns Hopkins, o doutor Alfred Blalock. Era o lugar ideal para se envolver com a área médica, e o fato de ser faxineiro não impediu Vivien disso. Seu interesse pela medicina, seu “autodidatismo”, sua incrível capacidade de manejar instrumentos cirúrgicos e o cuidadoso método de registrar todas as descobertas realizadas, foram percebidos rapidamente pelo doutor Blalock, e juntos foram pioneiros no desenvolvimento de técnicas para cirurgia cardíaca. Vivien era apaixonado pelo que fazia.

Paixão. Esta é a lição principal do filme. Depois que eu me dei conta disso vi como muitas das minhas ambições, apesar de legítimas estão pautadas mais no resultado que elas podem trazer do que na forma como desfruto do processo para alcançar o que desejo. É como se o meu desejo por realizar algo surgisse apenas depois que sonhasse com a revolução que gostaria de causar no mundo. Sentimento puramente orgulhoso e, por isso, totalmente ignóbil. Foi interessante perceber isso, pois me fez lembrar de uma conversa que tive com minha chefe algumas semanas antes. Ao final de uma reunião de avaliação e planejamento de minhas atividades, ela compartilhou uma reflexão pessoal baseada exatamente nisso: ser apaixonado pelo que você faz, traz sentido à sua caminhada e à própria atividade. Entendi que amar o que eu faço agracia minhas atividades com um sentido mais profundo – “isto me realiza” –, e me faz desenvolvê-las melhor e, consequentemente, causar um efeito melhor e, quem sabe, transformador. É uma postura mais humilde, ausente de desejo pelo reconhecimento. Faço porque amo, e meu amor pode transformar o mundo.

A reflexão caiu como uma luva, dentro do tempo e do espaço certo. Hoje é o segundo dia de um ano novo. Estamos dentro daquele período tradicional de rever nossos planos e objetivos – sentido, coisa que o ser humano não vive sem. Que tal viver um ano apaixonado pelas coisas que fazemos e pelas pessoas que amamos? Quem sabe a revolução que isso pode causar no mundo?

Imagem: divulgação

Visita impetuosa

Silêncio. Estou seguro, envolvido na profundidade deste estado de sossego aparente. Se fecho os olhos, debruçando o livro por sobre o peito, enquanto me ajeito na cama que está ao lado da janela, o silêncio toma forma, e se traduz em gotas que caem num ritmo constante, mas descompassado, criando uma melodia agradável. Folhas, poças, terra recebem a música da quietude, que preenche a noite, tecendo um ambiente propício a uma leitura aprazível.

Incomodo. Estranhamente, vejo-me desconcertado e desconcentrado da leitura que se fez ideal. Concentro-me mais no ambiente, que, a propósito, não quer minha atenção e, sim, quer ouvir as palavras escritas que parecem casar com o momento.

Trovão. O martelo de Thor rasga o silêncio em pedaços e seu som se faz ouvido em passeata, ribombando a cada pegada, lenta, forte e aterrorizante. O vento se encarrega de ser seu transporte e, mirando o leste, carrega indiscreto o estrondoso som por sobre os morros de Minas. Ouso enfrentar seu dono, encarando-o nos olhos: “quem es tu e o que desejas alcançar com tamanho estardalhaço?”, perguntei. E, em resposta nada sutil, ouvi-se de forma até gentil a réplica: “sou apenas o mensageiro da chuva. Atrapalhei? Perdão, não era meu propósito. Só queria acompanhar-te, aproveitando de sua leitura e da poesia do momento”.

Silenciei-me.

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Texto inspirado na chuva que ouço lá fora, de dentro da casa do Zilbinho, Marô, Lis e Júlia. Bom esse cantinho!

Imagem: Blog Inspire me