Aprendendo a plantar

Outro dia eu plantei uma árvore. Isso é o que diria meu amigo, Pedro, com quem tive o tal privilégio. Mas a verdade é que qualquer observador afirmaria: “Você? Fala sério, Lucas. Quem plantou mesmo a árvore foi o Pedro”. E eu, pra ser sincero e honesto, teria que confirmar estas palavras — mal toquei na terra. Apesar disso, participar daquele momento foi significativo. Principalmente porque percebi alguns valores importantes por trás da atitude desse meu amigo.

Antes de evidenciá-los preciso deixar a cena mais clara. Tecnicamente, plantar uma árvore implica você exercer certa força em seu braço, utilizando uma pá (não importa o tamanho) para cavar um buraco, fundo o suficiente para receber a planta que, se for uma muda, deve ser retirada do recipiente onde foi plantada anteriormente e depositada no tal buraco, que deve ser coberto com terra novamente. Ah, claro. Antes disso tudo você deve escolher o lugar apropriado para o plantio, levando em consideração se a árvore que você está plantando será grande ou não, para que ela não seja colocada perto de outras árvores que impediriam seu crescimento. Adivinhe o que eu fiz? Exato, eu apenas sugeri o lugar onde por a planta. E isso porque meu amigo pediu minha opinião. Veja bem, não entenda mal a minha atitude. Ela não expressa de maneira nenhuma desinteresse pelo momento. Plantar árvores é realmente significativo pra mim (apesar de nunca ter feito antes) e principalmente com um amigo. Talvez dizer também que minutos depois eu teria que trabalhar, justifique meu envolvimento mínimo. Voltar ao expediente com as mãos e as roupas sujas não seria apropriado.

Agora, o interessante é que apesar desse meu pequeno envolvimento, senti que foi significativo para o Pedro que eu plantasse a árvore junto com ele. Ele disse que queria ter feito isso com uma criança, mais especificamente com um primo dele de 10 ou 11 anos, mas tinha dúvidas se este pegaria a ideia. É claro que a intenção do meu amigo era fazer com que seu primo “pegasse a ideia”, o significado de plantar uma árvore (para quem não sabe sobre este significado, pense na lição da espera pelo crescimento, ou na lição “o que você planta hoje, colhe amanhã”, ou ainda sobre a lição do cuidado que devemos ter com os nossos relacionamentos, para que eles se desenvolvam e deem frutos, da mesma forma quando cuidamos de uma árvore). Não era pré requisito ter a ideia em mente previamente. Mas acho que tão bom quanto levar pessoas a experimentarem coisas que são importantes pra gente e estas curtirem, é curtir essas coisas importantes junto com pessoas que já as consideram assim, cheias de valores. E percebi essa sensação no Pedro — “é bom compartilhar este ato com quem o valoriza tanto quanto eu”. Não posso afirmar que foi exatamente isto que ele pensou, mas foi essa a mensagem que ele passou.

Outra coisa interessante que deu pra notar nele, além desse negócio de simplesmente estar presente para compartilhar, é a valorização da minha pequena participação. Bom, eu só dei minha opinião sobre qual seria o melhor lugar. E tenho certeza que ele teria escolhido o mesmo lugar que apontei sem qualquer sugestão minha. O fato é que, mesmo sendo óbvia, minha ideia foi acatada como boa. Isso me fez refletir em como pequenas atitudes nossas podem ser consideradas, na nossa cabeça, como insignificantes e desnecessárias para outras pessoas, mas nos surpreendemos ao saber que isso fez diferença para estas. Um exemplo claro, dentro da minha realidade cristã, é o ato de orar por alguém. Eu particularmente acho muito bacana quando alguns dizem estar orando por mim. Boa parte das vezes isso me dá ânimo, além de me encher de gratidão ao ver que sou lembrado. Essas sensações só não são maiores do que ouvir alguém dizer “você não faz ideia como está me ajudando ao me informar que está orando por mim”. Porque a oração parece ser algo tão pequeno… Mas só parece mesmo. Tem um poder de nos envolver com a dor e alegria dos outros que não fazemos ideia. Coisas pequenas que são grandes! Vi que o Pedro pensa assim também. E refletir nessas atitudes, que nem ele deve ter pensado para praticá-las, tornou o plantio daquela árvore um dos momentos significativos desse ano.

Espero levar isso comigo em 2012: valorizar a presença das pessoas e a importância dos pequenos atos.

Imagem: Ambiental Sustentável

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